Iboru Iboia Ibosese,
Nessa semana encontrei mais um caminho super interessante e gostaria de primeiro compartilhar com todos, para depois fazer os meus comentários em cima do Patakin (Itán), pois ao ler, sinceramente a emoção me tomou conta, adentrou o coração e muito justificou... Ao poder ler e entender, até que ponto um Orixá age em prol da defesa de todos nós, então só me resta relatar a história e depois discursar em cima dela!
MAMÃE OXUM
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Nesse Odú Ifá no qual estava estudando, deparei com uma história aonde nosso Grande e Sábio Babá Olofin estava completamente triste e não mais sabia o que fazer, pois na Terra que ele carinhosamente havia criado, somente haviam guerras entre os povos e por mais que este fizesse, nada se resolvia...
E começou a mandar Orixá por Orixá, aonde cada um fazia tudo o que sabiam, porém não conseguiam resolver o grande problema que era aquela triste e horrorosa guerra, aonde cada vez mais iam destruindo tudo que Babá havia criado e como só isso não o bastasse, ainda com aquela briga toda, iam destruindo um a um, com as mortes que iam ocorrendo nas aldeias...
Foi quando a carinhosa, doce e formosa Orixá Òsún (Oxúm) apareceu no seu palácio e viu o quanto Olofin estava preocupado e triste e o questionou do que acontecia, aonde este a relatou tudo o que estava acontecendo e o que já havia feito para que toda aquela coisa assombrosa terminasse...
Foi quando Òsún disse que tinha como fazer tudo aquilo parar, porém deveria ter a benção de seu pai e perdão por tudo o que iria fazer, pois iria terminar com a guerra, mas como Ifá nos ensina que: "não só basta fazer os ebós e escutar Ifá, precisa também passar pelo sacrifício para que possamos conseguir o êxito" e não diferente seria com Òsún.
Aonde Olofin, ao mesmo tempo que assustado com o que sua filha poderia fazer, também tinha a preocupação do que no Aiyé acontecia e fechou os olhos e deu toda a bênção seguida de todos os perdões...
E Iyá Òsún desceu no Aiyé e de imediato parou entre os dois povos em guerra e ao chegar ao solo se despiu e com um bandeira branca foi cruzando nua os dois povos que se matavam e tudo destruíam...
E foi de uma ponta a outra e conforme ia passando ia com a sua beleza enlouquecendo à todos e com sua doçura, sexo e sensualidade que mostrava, todos os homens parados ficavam e logo de imediato a guerra foi apaziguada.
Mas, somente isso não o bastava, pois a primeira parte ela já havia conseguido, porém teria que cansar e extasiar todos esses homens, para que além de cansados, também pudessem ficar satisfeitos e com isso, somente com uma boa pitada de amor...
Òsún os poderia segurar e acabar de vez com tudo aquilo, foi quando ao parar de um lado do povo, esta começou à fazer sexo com todos aqueles homens e ia amando um a um e da mesma forma seguiu sem descanso para o povo ao lado e tudo novamente fez...
A guerra parou, os homens se fartaram e caíram completamente extasiados e Òsún completamente cansada e esgotada havia quitado o que havia prometido ao seu Pai, porém não mais tinha forças para prosseguir...
Caminho em que foi se arrastando até o primeiro Rio que encontrou, aonde pegou as ervas que estavam a beira do mesmo e começou a se limpar, procurando ali limpar todo o nojo que sentia, sua áurea e corpo, porém ainda muito cansada caiu às margens do mesmo e lá abandonada ficou.
Foi quando Òrúnmìlà ao ver tudo o que ocorria, sendo mais uma vez testemunho de tudo que no aiyé acontecia, foi até Òsún e mesmo diante de tudo o que esta tinha feito e de uma vez por todas queimado toda a sua reputação, pois todos os homens queriam seu sexo e tudo que ela oferecia, porém nenhum deles teria a tal coragem de assumir uma quase "PROSTITUTA".
E assim Òrúnmìlà o fez, aonde a recolheu, a cuidou e a cada dia mais ao conhecê-la, ao saber do conteúdo que ela tinha, cada vez mais por ela se apaixonava e como prêmio engoliu todas as coisas que sentia e do que poderiam lhe chamar, acusar e caçoar e se casou com a mesma...
Sendo primeiro por amor e segundo como forma de pagamento e proteção por tudo que ela tinha feito pelo mundo e pelos filhos de Olofin.
Itó Ibán Esú...
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REFLEXÃO PESSOAL (IFÁORÍ):
Iboru Iboia Ibosese, acho que a história já foi muito bem narrada e já fala por si própria, porém nos cabe aqui, primeiro o agradecimento à esta maravilhosa e corajosa Orixá, aonde mesmo sendo dona dos rios, do amor, do ouro, da gestação e de tudo mais que todos nós sabemos, passou por cima de todos os seus maiores princípios, primeiro por amor e devoção ao seu grande Pai Olofin...
Assim como por todos nós, aonde usou do seu próprio corpo para poder salvar a todos e com todo o seu sacrifício que fez, pôde salvar toda humanidade, quando que nenhum outro Orixá havia conseguido tal feito.
Caminho como narra Ifá num determinado Odú, não podemos jamais julgar as pessoas e seus princípios e motivos dos quais, cada um busca para poder justificar seus meios e fins, porém nos deixa mais um grande ensinamento em que nos leva a pensar e reflexionar sobre os vários assuntos que no Aiyé e Orún existem.
Caminho em que também aqui ficam todos os meus registros de carinho e agradecimento por mais alguns minutos de compartilhamento de um gostoso ensinamento e cultura pessoal e espiritual com cada um que carinhosamente ao nosso Blog visita...
Caminho em que gostaria que cada vez mais, com ensinamentos desse tipo, cada um procurasse enxergar melhor a sua religião e as pessoas com mais compreensão, amor, luz, vida e caminhos mais frescos.
Ito Ibán Esú,
Robson Abreu
Oní Sòngó ty Òsún Obákoyde,
Bàbálàwó Ògúndá Ìretè IfáOrí.